A Magnitude da Primeira Infância

A faixa etária que se convenciona chamar de Primeira Infância vai dos 0 aos 6 anos. Também conhecida como a “Fase de Ouro”, deveria concentrar todas as nossas atenções, inclusive a dos elaboradores, investidores e gestores de políticas públicas.

Três dos maiores e mais rigorosos estudos de longo período em ações públicas americanas, acompanharam milhares de crianças por 35 anos, em média. Os estudos revelaram um retorno financeiro entre U$ 4,00 (quatro dólares) e U$ 9,00 (nove dólares) para cada U$ 1,00 (um dólar) gasto em programas educacionais para crianças de baixa renda na Primeira Infância. Os estudos seguiram as crianças até se tornarem adultos e constatou economia em educação especial, em custos com a criminalidade e retornos em bem-estar e na contribuição de impostos quando os indivíduos se tornaram adultos com renda mais elevada e formalmente bem empregados.

Para se ter uma ideia das dimensões dessa fase, basta analisarmos a morfologia do cérebro neste período. Monitoramentos na atividade cerebral acompanhado por ressonâncias magnéticas em crianças na Primeira Infância observaram que: até os 3 anos de idade, 80% do tamanho do cérebro adulto já está concretizado. Mais de 1 milhão de novas conexões de neurônios são estabelecidas por segundo! No primeiro ano de vida o volume total do cérebro aumenta em 101%. O Volume do cerebelo (localizado na parte de trás do cérebro e grande responsável pela coordenação motora) cresce 240% no mesmo período.

Olhar para esses números facilita a compreensão da importância da Primeira Infância. Olhando os números abaixo fica evidente os eventuais efeitos de experiências negativas nesta fase.

Estresse tóxico: quando a magnitude do estresse é muito forte/ traumático ou quando o estresse é contínuo na rotina da criança e ela não tem tempo suficiente para lidar/curar esse estresse antes de receber outra carga de estresse.

Crianças submetidas a estresse tóxico tem 90% a 100% de chances de ter atrasos no desenvolvimento cerebral (se persistente, os danos são permanentes). Estudos revelam que estresse tóxicos, principalmente na Primeira Infância, desconecta comunicações entre neurônios e indica redução significativa na formação do cérebro. Modelos animais demonstraram reduções no Córtex Pré-frontal (considerado a estrutura do desenvolvimento da linguagem, planejamento, raciocínio, atenção visual e memória); No Hipocampo (memória curta e organização espacial); e na Amígdala (estrutura cerebral essencial para decodificar respostas emocionais).

A amígdala tem sido centro de grandes discussões sobre comportamentos emocionais responsivos, agressividade e criminalidade. A boa notícia é que quanto antes esses estresses forem remediados, maiores serão as mudanças positivas e a reestruturação positiva do cérebro.

Por incrível que pareça, um dos maiores estímulos para o cérebro, nos primeiros meses de vida, vem do próprio contato dos pais com o bebê; também de seus educadores e cuidadores. O simples fato de interagir aos balbucios do bebê, olhar nos seus olhos, responder aos seus contatos, ao seu choro, conversar com ele, gesticulando, cantando e abraçando, tudo isso estabelece e fortalece as conexões neurológicas em seu cérebro, pavimentando sua habilidade de comunicação.

Como essa interação é esperada pelo bebê e é um caminho de ação e resposta dos envolvidos, a não resposta ou a ausência dessa interação reduz essa atividade cerebral e tem o efeito contrário, com efeitos no bem-estar do bebê e reflexos redutores dessas atividades cerebrais.

Embora não haja comprovação científica definitiva, grande corrente de estudiosos e educadores atribui que 60% da inteligência de um adulto se concretiza até os 3 anos de idade e 80% até os 6 anos. Entenda inteligência pela forma como o raciocínio se estabelece neurologicamente, construindo elos, ramificações, interligações e encadeando pontes entre as diferentes áreas do cérebro.

Referências para os Posts: http://www.enciclopedia-crianca.com/cerebro/sintese

Original:http://www.child-encyclopedia.com/sites/default/files/dossiers-omplets/en/brain.pdf (PDF Salvo).

https://developingchild.harvard.edu/

 

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