Brincar é Coisa Séria…

Brincar é Coisa Séria…

            Mas por que? (chamadas do Post – pode ficar nos Slides da Home, ou nos posts)

“Brincar é coisa séria”, este foi o primeiro slogan da primeira Trenzinho lá em 1970. Frase criada pelo fundador Altino Ito, já tantas vezes replicada e que nos serve de guia até os dias de hoje. É atemporal como a formação das bases da criança. Atemporal como deve ser o brincar.

A importância do brincar…

De acordo com Dr David Whitebread – Universidade de Cambridge, brincar é uma das maiores conquistas da espécie humana, ao lado do desenvolvimento da linguagem, da cultura e da tecnologia. Segundo ele, na verdade nenhuma dessas outras conquistas seria possível sem o brincar.

É através do brincar que a criança constrói boa parte da sua estrutura, é onde boa parte das respostas comportamentais, sociais e emocionais vão se consolidando para a vida toda. Onde a criança vai aprendendo, se adaptando, realizando conquistas pessoais e também conquistando pessoas, aprendendo a se expressar, a entender o outro, a resolver conflitos, a defender seu ponto de vista e assim também vai contribuindo para a formação da sua autoestima. É através do brincar e do afeto recebido de seu meio (familiar principalmente) que a criança vai consolidando suas bases, suas pontes de raciocínio, sua resiliência. É quando criança, que também vai consolidar algumas fugas, seus “cantos protegidos” e seus comportamentos responsivos. Tudo isso se reflete na vida adulta. É só repararmos em nós mesmos e nas pessoas mais próximas e que conhecemos desde a infância. Fica claro que muito da infância se repete até os dias de hoje.

O quanto “já vem pronto” em um indivíduo e o quanto é construído nas primeiras experiências de um cérebro “cru” é uma discussão ainda aberta. Sabe-se que a estrutura tem uma grande carga genética, mas também é consenso entre neurocientistas e educadores que a formação do cérebro, a pavimentação do raciocínio e das inteligências tem enorme ligação com o ambiente afetivo e com o brincar. Principalmente nos primeiros anos de vida, no que se convenciona chamar de Primeira Infância.

Se olharmos atentamente para um grupo de crianças brincando, descobriremos uma infinidade de fatores corporais, cognitivos, afetivos e sociais “co-laborando”, ou seja, “trabalhando juntos” para a construção e aprendizado deste “estar no mundo” de cada uma delas e do grupo como um todo. Por meio das brincadeiras, a criança descobre maneiras de se expressar, observa o jeito do outro e o seu próprio de fazer as coisas, percebe e sente os elementos à sua volta, conhece causas e efeitos, compreende o porquê e o para que das coisas, manuseia e nomeia o que está à sua volta. Brincando, a criança sente-se motivada e vai entrando no mundo, abrindo-se e integrando-se a ele. Muitas vezes, neste processo, ela encontra obstáculos e sente-se frustrada, mas na própria brincadeira vai aprendendo a lidar criativamente com isso. O movimento de buscar soluções e saídas criativas para conflitos e obstáculos, problemática tão presente no universo adulto, tem de fato suas raízes nesta “coisa séria que é o brincar”!

Sugestão: link (página traduzível) sobre a importância do brincar, escrito pelo psicólogo citado Dr.Whitebread]http://www.importanceofplay.eu/IMG/pdf/dr_david_whitebread_-_the_importance_of_play.pdf

(Sobre a Primeira Infância, ler também o Post A Magnitude da Primeira Infância (fazer Link).

Um ambiente saudável ao livre brincar

O ambiente tem muita relevância para o pleno desenvolvimento do brincar, seja o ambiente físico – especialmente, o natural (muitas têm sido as pesquisas apontando um desequilíbrio infantil por “déficit de natureza”) – seja o ambiente social de paz. Estimular laços de amizade e o respeito entre as crianças talvez seja um dos principais papéis do educador e, certamente, é o ponto-chave para que cada criança floresça o melhor de sua personalidade, respeite a diversidade de ideias e pontos de vista e cresça podendo disponibilizar suas habilidades e capacidades para a sociedade.

Neste ambiente almejado, o desenvolvimento seria mais livre e os papeis, inclusive os de liderança, seriam mais autênticos e legítimos. Este mundo é, de fato, não corresponde a realidade e parte do aprendizado da vida é justamente aprender a lidar com sua inexistência. Desenvolver a capacidade de tolerância e zelar por um grau saudável e pacífico do ambiente são condições para o desenrolar da brincadeira. Assim como o desenrolar do trabalho e de uma sociedade mais produtiva e saudável.

            [Sugestão: link sobre déficit de natureza, entrevista da BBC-Brasil com Richard Louv, estudioso deste tema] https://www.bbc.com/portuguese/geral-36592620

Por que aprendemos tanto com o brincar?!

Talvez porque ele seja divertido e livre! E tem que ser!! A brincadeira mais saudável é aquela espontânea, empolgante e que a criança se sinta engajada de forma natural! Como tudo na vida, é mais fácil e muito mais produtivo quando fazemos aquilo que gostamos de fazer! Deve ser essa a causa da nostalgia que sentimos da infância, da época em que aprendíamos brincando! E mal sabíamos que estávamos aprendendo as coisas mais fundamentais das nossas vidas…

Leave a comment