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VAGAS.COM / Trenzinho - Data: 27/08/2014
Altino Ito, 78 anos, proprietário da Trenzinho Brinquedos Educativos.
Foto: Newton Santos

Trenzinho, a primeira loja especializada em brinquedos educativos do Brasil, fundada em 1.970 pelo então químico Altino Yoichi Ito e pela educadora Aurora Freitas Ito. Como educadora, Aurora sentia falta de materiais pedagógico de qualidade nas escolas. O mesmo sentimento se aplicava ao mercado de brinquedos direcionado ao consumidor final, o casal sentia falta de brinquedos com melhor conteúdo, que agregassem mais qualidade, interação, lógica e desenvolvimento divertido. Esse sentimento se amplificou pouco depois da abertura da primeira loja, quando o casal teve seu primeiro filho.

Iniciaram então uma vasta pesquisa, encontraram alguns poucos fabricantes no Brasil. A maioria em São Paulo e no Sul. Começaram então um trabalho conjunto de aperfeiçoamento. Alguns produtores eram alemães e já traziam essa bagagem cultural da madeira, do tratamento correto com ótimo acabamento e dos fundamentos pedagógicos. Fomos adequando tamanhos, formas e processos junto com os primeiros fabricantes e formando os primeiros artesãos dedicados aos Educativos. Estava plantada a semente deste pequeno segmento no Brasil. Muitas adequações também visavam a segurança das crianças, isso bem antes da existência das regulamentações do INMETRO.

Veio a década de 80, vivíamos o início da era dos brinquedos “modernos” de plástico e com os primórdios dos componentes eletrônicos. Era também o início do bombardeio televisivo destinado às crianças. Com algumas poucas exceções, a maioria dos brinquedos eram pobres em conteúdo, as crianças apertavam um botão e assistiam passivamente a emissão de luzes e alguns sons e movimentos. Sem interação com o brinquedo, rapidamente a criança enjoava daquilo enquanto a mídia lhes vendia alguma novidade.
E assim girava a roda da nova indústria dos brinquedos. Gerando empregos, impulsionando a economia, mas ao mesmo tempo massificando as crianças e direcionando este mercado para um consumismo mais desenfreado, brinquedos pouco duráveis e suas consequências para a educação e meio ambiente.

Na contramão desse movimento econômico, a Trenzinho continuava crescendo dentro do seu pequeno mercado, abrindo ao longo dos anos, lojas no bairro de perdizes e outras em Santo Amaro e na Av. Brigadeiro Faria Lima. Aos poucos este mercado foi agregando mais produtores, artesãos e também lojistas. Hoje são mais de 150 lojas de educativos no Brasil e dezenas de fabricantes e importadores exclusivos deste segmento.

Um olhar para o futuro…

Meio século após a abertura da primeira Trenzinho, o cenário atual está em aberto. A Revolução Digital veio para mudar o mundo e vivemos apenas o início dessa Revolução. A grande indústria dos brinquedos ano após ano vem diminuindo e perdendo espaço para os gadgets e suas novas tecnologias e formas de interação. Sem muito direcionamento e talvez um pouco assustada, a grande indústria de brinquedos pulveriza seus investimentos em países ainda pouco explorados e em mercados distintos, hora tentando chegar junto aos aplicativos e tecnologias, hora correndo para o lado dos educativos, vistos como uma corrente em ascensão ou ao menos mais estável, andando em paralelo com a valorização da alimentação orgânica, esportes, modelos de desenvolvimento sustentável e melhor qualidade de vida.

A nova rotina de tecnologias nas vidas dos pequenos e seus reflexos nos futuros adultos, ainda é uma incógnita. A indústria está um pouco perdida junto com a sociedade. A nosso ver e aos olhos dos educadores e neurocientistas, nada mais saudável do que preservarmos as brincadeiras e interações presenciais entre crianças, familiares e cuidadores. Tecnologias devem ser um complemento de uma conectividade mais real e com laços emocionais bem construídos. Mantendo os fundamentos essenciais da criança, formam-se as bases para um modelo de vida tecnológico mais bem estruturado, sem perdermos a direção para onde o mundo deve evoluir de fato.

Crianças experimentando os brinquedos da loja (Foto de 1.974). Característica que mantemos até os dias de hoje.
Interior da Loja da Iguatemi em 1.974
Foto de 1.973. Entrada da primeira loja na Rua Iguatemi esquina com Rua Tabapuã. Em virtude da crescente edificação de prédios naquela região, tivemos que mudar o endereço por três vezes na mesma Rua. 
Foto da Loja da Fradique Coutinho na década de 80
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Loja

Em 1.975 foi aberta a loja da Fradique Coutinho, em Pinheiros, endereço em que a loja atua até os dias de hoje

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