O impacto da diminuição do brincar

Inúmeros estudos, mundo afora, apontam para a diminuição do brincar, principalmente o do brincar ao ar livre e em contato com a natureza. Inúmeros também são os fatores que contribuem para isso.

A vida moderna, principalmente a urbana, exige mais obrigações dos pais e das crianças e lhes tiram tanto o tempo de convivência, quanto a energia para se dedicar às brincadeiras.

Jornadas de trabalho intermináveis, tempo gasto no trânsito, viagens a negócios e uma vida profissional online 24 horas esgotam o tempo saudável em família… esse tempo presente do brincar.

Felizmente, muitos pais vêm se questionando sobre a importância de tudo isso, uma vez que uma de suas metas principais e o motivo de tanto trabalho é exatamente prover aos filhos a melhor preparação para o futuro.

Encontramo-nos em um verdadeiro paradoxo, uma vez que perdemos o contato com o tempo presente de nossos filhos e abrimos espaço para um futuro questionável.

Ver também: (https://qz.com/1217146/child-development-kids-that-play-more-often-are-better-prepared-for-employment/).

Principais fatores da diminuição do brincar:

Agendas Superlotadas:

Com agendas lotadas de aulas e preparações, as crianças deixaram de brincar como deveriam. A preocupação dos pais em deixar seus filhos preparados e bem empregados em um futuro tecnológico e competitivo, talvez lhes tirem exatamente essa capacidade e os transformem em adultos estressados, sem estrutura emocional e sem amplitude de pensamentos.

Como loja, a Trenzinho é um lugar em que as pessoas chegam à procura de “presentes” para as crianças, mas também gostaríamos de resgatar o sentido desta palavra, relacionando-a não apenas ao objeto adquirido, mas ao tempo “agora” compartilhado com elas, crianças.

Carência de espaços..

Os espaços arborizados e as ruas mais tranquilas são cada vez mais escassos e distantes nos grandes centros, muitas praças, pequenos parques e terrenos foram ocupados, restando alguns parques grandes, distantes e superlotados. Brincar é Coisa Séria também para os planejadores urbanos

Abuso no uso de tecnologias..

Tecnologias, como os videogames, e o mundo de convivência virtual, como as redes sociais, são grandes responsáveis pela diminuição do brincar. Se, por um lado, o mundo digital traz um universo de informações, possibilidades e benefícios quando utilizado comedidamente e de forma adequada às idades, por outro, traz o isolamento de contato pessoal e seus graves efeitos psicológicos, o sedentarismo e suas drásticas consequências para a saúde corporal e mental, a falta de manipulação e exploração do ambiente físico essencial para o desenvolvimento cerebral das crianças durante a Primeira Infância e, finalmente, traz os malefícios da falta do brincar, contribuindo imensamente com sintomas de ansiedade e hiperatividade. Por isso é fundamental a atenção de pais e educadores quanto ao tempo gasto com telas e dispositivos eletrônicos, bem como com o conteúdo dos games e de outras experiências virtuais.

Violência..

A violência desenfreada é, junto com a tecnologia, talvez o maior fator privativo das brincadeiras ao ar livre. Algumas décadas atrás era muito comum ver crianças brincando ao ar livre, soltas e sem supervisão pelas ruas das grandes cidades brasileiras. Saíam sozinhos para ir à casa dos amiguinhos, jogavam bola na rua e brincavam nas praças e parques. Infelizmente essa riqueza praticamente desapareceu. Nas comunidades e periferias urbanas, onde essa riqueza persistiu mais tempo, isso também tem se perdido por culpa da violência.

Como consequências da falta de tempo, da falta de espaços, do abuso na utilização de tecnologias e da violência desenfreada, temos uma infância cada vez mais pobre em conteúdo. Sem o contato social das brincadeiras, a diminuição do tempo e da qualidade do tempo em família, podemos tender a uma espiral preocupante: quanto menos as crianças brinquem, interajam, conquistem, e aprendam a lidar com suas frustrações e emoções em sociedade, mais tendemos a uma sociedade que não sabe lidar e solucionar seus problemas. Uma sociedade indiferente, individualista, sem essência, sem estrutura emocional e desgovernada. A formação dessa sociedade dispensará menos atenção ainda às essências da infância, do amor em família e das amizades, caminhando assim para uma perspectiva desumana preocupante. É muito importante preservarmos o brincar, os laços afetivos familiares e de amizades.